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A arterioesclerose e a trombose venosa são as duas maiores manifestações de doença cardiovascular (DCV). Atualmente, sabe-se que alguns fatores de risco para DCV possuem um componente genético significante (herdabilidade), como colesterol total, HDL-colesterol, fibrinogênio, concentração de homocisteina, triglicérides e pressão sanguínea sistólica/diastólica.
De acordo com a International Task Force for Prevention of Coronary Heart Disease, algumas variações genéticas encontradas no metabolismo de lipoproteínas (APOB e APOE), na homeostase da pressão sanguínea (enzima conversora de angiotensiva), na hemostase (fator V de Leiden, protrombina, fator XIII, fibrinogênio) e em mediadores de oxidação contribuem para o risco de desenvolvimento de doença cardiovascular.
A interação complexa de parâmetros ambientais e certas variantes genéticas pode contribuir para DCV.
1. Fator V de Leiden (G1691A; R506Q):
G1691A é o fator de risco genético mais comum para tromboembolismo venoso. Uma alteração nesse gene confere uma modificação na proteína do fator V, resultando em resistência da atividade anticoagulante da proteína C ativada (APC) e aumento do risco de tromboembolismo.
2. Fator V haplótipo R2:
Associado com resistência da atividade anticoagulante da APC e com aumento do risco de doença cardiovascular em pacientes portadores do fator V de Leiden.
3. Fator II (Protrombina):
G20210A é o segundo fator genético de risco mais comum para trombose. Pacientes portadores do polimorfismo nesse gene possuem um maior risco de apresentar concentrações mais elevadas de protrombina, o que aumenta o risco de trombose arterial e venosa.
4. Fator XIII (V34L):
O fator XIII é uma enzima que agrega a fibrina durante a formação do coágulo. O polimorfismo afeta a estrutura de coágulo de fibrina, levando à rápida fibrinólise e oferecendo proteção contra eventos tromboembólicos.
5. Beta-fibrinogênio (FGB) -455G>A:
O fibrinogênio influencia a agregação plaquetária e viscosidade sanguínea. Ele se acumula na placa aterosclerótica em uma taxa proporcional às suas concentrações plasmáticas. Um polimorfismo nesse gene pode levar à hiperfibrinogenemia, aumentando o risco de acidente vascular cerebral (AVC).
6. Inibidor do ativador do plasminogênio 1 (PAI-1 4G/5G):
O PAI-1 inibe a fibrinólise (ao inibir o ativador de plasminogênio) e um polimorfismo nesse gene está associado com concentrações plasmáticas elevadas de PAI-1, aumentando o risco de síndrome coronariana aguda (SCA).
7. Antígeno de plaquetas humana 1 (HPA1; Gpllla; integrina beta 3) L33P:
O infarto agudo do miocárdio (IAM) e a angina instável (AI) resultam da formação de agregados de plaquetas no sítio de ruptura da placa aterosclerótica coronariana, os quais dependem da ligação do fibrinogênio e do fator de von Willebrand ao receptor glicoproteína IIb/IIa na superfície das plaquetas. Um polimorfismo nesse gene está associado ao risco de AI e IAM.
8. Metilenotetrahidrofolatoredutase (MTHFR) - C677T:
A MTHFR é uma enzima do ciclo do folato e, a presença de polimorfismo nesse gene, está associada à produção de uma enzima MTHFR mais termolábil, com redução nas taxas de metilfolato, o que leva a menor eficiência na conversão de homocisteina em metionina e a um aumento nas concentrações de homocisteina. A hiperhomocisteinemia está associada ao risco de desenvolvimento de DCV.
9. Metilenotetrahidrofolatoredutase (MTHFR) - A1298C:
Esse polimorfismo, em associação com C677T, aumenta o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
10. Enzima conversora de angiotensina (ECA):
A ECA, principal enzima do sistema renina angiotensina, desempenha um papel importante na regulação da função cardíaca e da pressão arterial ao remover dois aminoácidos da angiotensina I para produzir a angiotensina II (AII), o qual é um potente vasoconstritor que atua através do receptor de AT1, estimulando a proliferação de células da musculatura lisa e a hipertrofia cardíaca. A ECA também metaboliza a bradicinina, um peptídeo vasoativo potente (vasodilatador das artérias periféricas), para uma forma inativa. Associação significativa do polimorfismo com a pressão arterial sistólica e pressão arterial diastólica.
11. Apolipoproteina B (ApoB) R3500Q:
A ApoB se liga ao receptor de LDL (LDLR) e, assim modula a depuração de LDL e regula a biossíntese de colesterol. Um polimorfismo nesse gene induz a um defeito na APOB-100 da partícula de LDL, responsável pela falha na ligação do LDLR com a LDL, o que provoca um atraso na depuração do LDL e um aumento do risco de aterosclerose e hipercolesterolemia.
12. Apolipoproteina E (ApoE) E2/E3/E4:
Alterações no gene que codifica para essa proteína estão envolvidas com o aumento dos níveis de colesterol (LDL-c) e triglicérides na circulação, devido ao não-reconhecimento dessas moléculas pelos receptores presentes nas células, responsáveis por sua captação no fígado.